1675 (p.i)

Portuguese53 lines1 public analyses
Original Poetry
Translation
1675 (p.i)
Toda vez que sinto o vento
Toda vez que eu sinto o vento
É como ver uma pintura
É como ver a aquarela
Feita pelos seus cabelos
Pintada pelos seus cabelos
Que balançam na janela
Que vibram a janela
Ouço pássaros cantando
Escuto cantos de pássaros
Vôo pelos campos
Vôo pelos campos
Das paisagens dos retratos
Das campinas de retratos
Que vejo nos meus sonhos
Que vejo nos meus sonhos
Os sete morangos na caixa
Os sete morangos dentro da caixa
A caixa que guardava seu fone
A caixa que guardava seu fone
Sem tampa, sem proteção
Sem capa, sem borracha
Que sempre desaparece
Que toda vez some
Quando você me morde
Quando você me morde
Lembro do destino
Passo a lembrar do destino
Hoje, já toca músicas
Hoje, toca acordes
Mil seiscentos e setenta e cinco
Mil seiscentos e setenta e cinco
Você, sensível à luz do sol
Você, sensível à luz solar
Leva ao fim da minha vida
Leva ao fim da minha vida mortal
Apenas esse seu olhar
esse teu olhar
Para que meu sofrimento
Para que o meu mal
Comece a se transformar
passe a se transformar
No meu país de laticínios
No meu país do laticínio
O seu é capital de café
o seu é capital de café
Não há mais apoio
nem mais patrocínio
Depois do fim da fé
Depois do fim da
Você é vermelho, eu azul
Você é vermelho, eu azul
Eu norte, você sul
Eu norte, você sul
Nós duas no sudeste
Nós duas no sudeste
Ainda faz um calor insuportável
ainda faz um calor da peste
Mas tudo bem, eu amo meu país
Mas tudo bem, eu amo meu país
Se é você que me faz feliz
Se é voce que me faz feliz
Um estado realmente importa?
Um estado realmente importa?
Se sempre bato na porta
Se sempre chuto a porta
Sabendo que nunca vou quebrar
sabendo nunca vou quebrar
Se for para te salvar
Se for para te salvar
Toda vez que aprecio o momento
Toda vez que eu aprecio o momento
É quando estou com você
É quando estou com você
Vermelho, seus cabelos
Vermelho, seus cabelos
Que combinam com este clichê
Que combinam com esse clichê
Ouço morcegos
Escuto sonares de morcegos
Voando pelas cavernas
Voando pelas cavernas
Das paisagens, conto as histórias
Das campinas, conto a contagem
Que vejo em nossas conversas
Que vejo em nossas conversas
Quando você suga meu sangue
Quando você suga meu sangue
Lembro do destino
Passo a lembrar do destino
Hoje, já escrevi antes
Hoje, escrevi antes
Mil seiscentos e setenta e cinco
Mil seiscentos e setenta e cinco
Você, sensível à luz do sol
Você, sensível à luz solar
Leva ao fim da minha vida
Leva ao fim da minha vida mortal
Apenas esse seu olhar
esse teu olhar
Para que meu sofrimento
Para que o meu mal
Se transforme em amor por você
Se transforme em te amar
 

Explanation

Este poema contemporâneo em verso livre explora a complexidade das emoções humanas através de imagens vívidas e metáforas. O poeta, não identificado, utiliza elementos da natureza e do cotidiano para expressar sentimentos de amor e conexão. A abertura do poema, com a imagem do vento e da aquarela, sugere uma sensação de liberdade e criatividade, enquanto os cabelos que vibram na janela evocam movimento e vida.

O poema continua com uma série de imagens que misturam o real e o onírico, como os "cantos de pássaros" e "campos de retratos". Essas imagens criam um cenário de sonho, onde a imaginação do eu lírico voa livremente. A referência aos "sete morangos dentro da caixa" e ao "fone" sugere uma intimidade e um cotidiano compartilhado, enquanto o número "mil seiscentos e setenta e cinco" pode simbolizar um ano ou um momento significativo na relação.

A emoção do poema oscila entre a alegria do amor e a melancolia da mortalidade. A sensibilidade à "luz solar" e o "fim da vida mortal" indicam uma consciência da fragilidade da vida e do tempo. O tom é ao mesmo tempo terno e reflexivo, capturando a dualidade do amor como fonte de felicidade e dor.

O uso de metáforas, como "vermelho, seus cabelos" e "você é vermelho, eu azul", enriquece o texto com camadas de significado, sugerindo contrastes e complementaridades entre os amantes. A estrutura em verso livre permite uma fluidez que reflete a espontaneidade dos sentimentos expressos.

Em última análise, o poema fala sobre a transformação do sofrimento em amor, destacando a importância da conexão emocional e da partilha de momentos significativos. É uma meditação sobre a beleza efêmera da vida e a capacidade do amor de transcender as limitações do tempo e do espaço.

Word Dictionary10

WordIn PortuguesePlain (Portuguese)Pron.
aquarelapintura com águapintura feita com águaaqua-re-la
retratosimagensimagens visuaisre-tra-tos
morangosfrutas vermelhasfrutas vermelhas pequenasmo-ran-gos
destinofuturoo que vai acontecerdes-ti-no
acordesmúsicasnotas musicais juntasa-cor-des
laticínioprodutos de leiteprodutos de leitela-ti-ci-nio
patrocínioapoio financeiroajuda financeirapa-tro-ci-nio
clichêexpressão comumideia comumcli-chê
sonaressonssons de morcegosso-na-res
cavernasgrutasgrandes buracos naturaisca-ver-nas

Poet & Context

Poet
Era21st century

A poesia portuguesa contemporânea é rica e diversa, refletindo uma variedade de temas e estilos. Este poema, sem autor identificado, exemplifica a exploração de sentimentos pessoais e imagens vívidas.

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When21st century
WhyO poema reflete uma exploração pessoal e emocional, utilizando imagens vívidas e metáforas para expressar sentimentos de amor e conexão.
FormFree verse

Themes & More

amormortalidadeconexão emocionalnatureza
metáfora: uso de imagens como 'aquarela' e 'cabelos vibram'contraste: 'vermelho' e 'azul' para simbolizar diferençasverso livre: estrutura sem rima fixa, permitindo fluidez
1675 (p.i) by Unknown poet — Poem, Translation & Meaning