chão de céu

Portuguese57 lines1 public analyses
Original Poetry
Translation
chão de céu
Chão de céu
eu piso na estratosfera
Eu ando na camada alta do céu
sinto a lua me orientar
Sinto a lua me guiar
saio enfim da terra
Finalmente saio da terra
vejo o meu céu de mar
Vejo meu céu como um mar
azul como o calor
Azul como o calor
que se inverte ao meu ver
Que muda quando olho
quando senti meu amor
Quando senti meu amor
o vento enaltecer
O vento se destacou
piso em pássaros como skate
Ando sobre pássaros como se fossem skate
nas ruas, nuvens que manobro
Nas ruas, nuvens que controlo
um flip numa escada de vento
Um truque numa escada de vento
que nem invento, olho
Que não invento, só vejo
o laranja desse chão
O laranja desse chão
me faz ficar encurvada, olhar
Me faz ficar curvada, olhar
ser tomado de escuridão
Ser tomado pela escuridão
para o beabá do luar
Para o básico do luar
as nuvens em minhas mãos
As nuvens em minhas mãos
a via láctea no submundo
A via láctea no submundo
no meu céu, as construções
No meu céu, as construções
na minha brisa, o meu mundo
Na minha brisa, o meu mundo
as estrelas de postes
As estrelas dos postes
os carros, aviões
Os carros, aviões
o meu sul, o norte
Meu sul, o norte
acha norte nas mansões
Encontra o norte nas mansões
as montanhas toco o topo
As montanhas toco o topo
como quem toca estalactites
Como quem toca pedras que pendem
nas cavernas do meu morro
Nas cavernas do meu morro
o meu céu que os outros vivem
Meu céu que os outros vivem
tem momentos que eu sinto
Há momentos que sinto
a altura como algo mau
A altura como algo ruim
o foguete, meteoro vivo
O foguete, meteoro vivo
quando eu chegar no plano astral
Quando eu chegar no plano astral
piso no Cruzeiro do Sul
Piso no Cruzeiro do Sul
que me orienta desde
Que me guia desde já
o meu céu, tão azul
Meu céu, tão azul
verde, cinza, mar
Verde, cinza, mar
meus carros tem asas
Meus carros têm asas
minhas motos tem hélices
Minhas motos têm hélices
o meu gêiser que sai de nuvens
Meu gêiser que sai de nuvens
molham, deixam os céus férteis
Molham, deixam os céus férteis
de dia, pipas vem me irritar
Durante o dia, pipas me irritam
prendo elas nas estrelas
Prendo-as nas estrelas
movo elas, medo de me cortar
Movo-as, medo de me cortar
às vezes, o céu incendeia
Às vezes, o céu incendeia
vem um tiro do alto
Vem um tiro lá do alto
disparada de corridas
Disparada de corridas
penso se é necessário
Penso se é necessário
esse medo, essas neblinas
Esse medo, essas neblinas
em cima as vezes brilha
Lá em cima às vezes brilha
de laranja, sai fumaça
De laranja, sai fumaça
sobe tudo para minha retina
Sobe tudo para minha retina
mas daqui a pouco passa
Mas logo passa
meu chão de céu
Meu chão de céu
instável de ventos fortes
Instável de ventos fortes
meu ozônio, seu papel
Meu ozônio, seu papel
minha brisa, tenho sorte
Minha brisa, tenho sorte
 

Explanation

O poema 'chão de céu' explora a relação entre o indivíduo e o cosmos, utilizando imagens celestiais para refletir sobre liberdade e introspecção. O eu lírico inicia sua jornada na 'estratosfera', guiado pela lua, simbolizando uma busca por orientação e transcendência. A imagem do 'céu de mar' sugere uma fusão entre o celestial e o terrestre, criando um espaço de contemplação.

O poema continua com imagens de movimento e transformação, como 'piso em pássaros como skate' e 'um flip numa escada de vento', que evocam uma sensação de leveza e liberdade. A cor 'laranja' do chão e a 'escuridão' do luar contrastam, simbolizando a dualidade entre luz e sombra, conhecimento e mistério.

A narrativa emocional do poema oscila entre a liberdade e a incerteza, refletida na metáfora do 'foguete, meteoro vivo' que representa a busca por um plano astral. O tom é de contemplação e maravilhamento, mas também de questionamento e dúvida.

O uso de metáforas e imagens visuais, como 'as estrelas de postes' e 'meus carros têm asas', cria um mundo onírico onde o cotidiano se mistura com o fantástico. A repetição de elementos celestiais reforça a ideia de um espaço pessoal e introspectivo.

Em última análise, o poema sugere uma reflexão sobre a busca por significado e orientação em um mundo instável e em constante mudança. Ele destaca a capacidade do indivíduo de criar seu próprio universo de significados, mesmo diante da incerteza e da vastidão do cosmos.

Word Dictionary10

WordIn PortuguesePlain (Portuguese)Pron.
estratosferacamada da atmosfera acima da troposferauma camada da atmosfera muito altaestratosfeera
enaltecerexaltar, glorificarfazer algo parecer muito importante ou bomenaltecer
estalactitesformações minerais que pendem do teto de cavernaspedras que crescem para baixo em cavernasestalaktites
gêiserfonte termal que ejeta água quenteuma fonte de água quente que sai do chãogeizer
retinaparte do olho que recebe luza parte do olho que vêretina
ozôniogás que protege a Terra dos raios UVum gás que protege a Terra do solozonio
neblinasnévoa, brumauma nuvem baixa que dificulta a visãoneblinas
brisavento leve, suaveum vento suave e agradávelbriza
fumaçavapor, exalaçãoo que sai quando algo queimafumasa
morrocolina, elevação de terrauma pequena montanhamorro

Poet & Context

Poet
EraContemporary

Não foi possível identificar o autor específico deste poema. No entanto, ele parece pertencer à era contemporânea da poesia brasileira, caracterizada por uma linguagem inovadora e temas que exploram a subjetividade e a relação do indivíduo com o mundo.


WhenEra contemporânea
WhyO poema parece explorar a relação entre o indivíduo e o cosmos, utilizando imagens celestiais para refletir sobre a liberdade, a orientação e a introspecção.
FormPoema livre

Themes & More

liberdadeintrospecçãotranscendênciadualidade
metáfora: uso de imagens celestiais para representar ideias abstratasrepetição: repetição de elementos celestiais para reforçar a introspecçãocontraste: entre luz e sombra, conhecimento e mistério