Bioquímica de uma perda

Portuguese38 lines1 public analyses
Original Poetry
Translation
Bioquímica de uma perda
Bioquímica de uma perda
O último potencial
O último impulso
desprovido de ação
Sem mais ação
Percorre uma membrana
Passa por uma camada
Fadada a implosão
Destinada a implodir
não mais ATP
Não há mais energia
lhe resta contração
Só resta contrair
Inundada pelo cálcio
Cheia de cálcio
As proteases regozijam
As enzimas se alegram
E as hidrolases hidrolisam
E as enzimas quebram
Os precursores de uma vida
Os iniciadores da vida
no fundo do abismo
Já no fundo do vazio
As bombas que falham
As bombas que falham
Eu as vejo vacilar
Eu as vejo hesitar
A chama não arde
A chama não queima mais
Eu sinto o frio em seu lugar
Sinto o frio em seu lugar
O pulso
O pulso
Que outrora tão presente
Que antes era constante
Agora faz falta
Agora faz falta
Nessa acidez pungente
Nesta acidez forte
Os sistemas tamponantes
Os sistemas de equilíbrio
não tamponam nada
Não equilibram mais
O dióxido acumula
O gás se acumula
Enquanto a vida se apaga
Enquanto a vida se apaga
Tudo se enrijece
Tudo endurece
A miosina ainda contrai
A proteína ainda contrai
Até que nem mais ela
Até que nem ela
Permanece
Permanece
Se desfaz
Se desfaz
O corpo finalmente
O corpo finalmente
Parece que descansou
Parece descansar
Um dia bronzeado
Um dia bronzeado
Hoje é livor
Hoje é só palidez
O músculo relaxa
O músculo relaxa
A tensão se esvai
A tensão desaparece
E no final de tudo
E no final de tudo
Você não existe mais.
Você não existe mais.
eu.
Só eu.
 

Explanation

O poema 'Bioquímica de uma perda' aborda o tema da morte através de uma lente científica, descrevendo o processo de degradação celular após a morte. Utilizando termos da bioquímica, como ATP, cálcio, proteases e hidrolases, o poema cria uma metáfora para a perda e o fim da vida. A linguagem científica contrasta com a emoção do lamento pela perda, destacando a inevitabilidade da morte e a transformação do corpo. A descrição do corpo que se torna rígido e frio, e a ausência de pulso, simbolizam a transição da vida para a morte. O poema termina com um sentimento de solidão, sugerindo que, no final, apenas o eu lírico permanece, enfrentando a ausência do outro. A estrutura em verso livre permite uma fluidez que reflete o processo contínuo e inevitável da morte.

Word Dictionary18

WordIn PortuguesePlain (Portuguese)Pron.
Bioquímicaestudo químico da vidaciência que estuda os processos químicos nos seres vivosbiokímica
potencialcapacidadeenergia armazenada que pode ser usadapotensial
membranacamada finaestrutura que envolve a célulamembrana
implosãocolapso internodestruição internaimplozão
ATPenergia celularmolécula que fornece energia para as célulasa-te-pe
contraçãoencolhimentoprocesso de se tornar menor ou mais curtokontração
cálciomineralelemento químico importante para os ossoskálcio
proteasesenzimas que quebram proteínasenzimas que ajudam a digerir proteínasproteázes
hidrolasesenzimas que quebram moléculasenzimas que ajudam na decomposição de compostoshidrolázes
precursoresiniciadoressubstâncias que dão origem a outrasprekursores
abismoprofundidadegrande vazio ou buracoabizmo
vacilarhesitarficar incerto ou insegurovassilar
acideznatureza ácidapresença de ácidoassidez
pungenteforteintensamente penetrantepunjente
tamponantesque equilibramsistemas que mantêm o equilíbrio químicotamponantes
dióxidogáscomposto de dois átomos de oxigêniodióksido
miosinaproteína muscularproteína que ajuda na contração muscularmiozina
livorpalidezcor pálida da pele após a mortelivor

Poet & Context

Poet
EraContemporary

O autor deste poema é desconhecido. O poema parece pertencer à era contemporânea, refletindo temas de ciência e biologia com uma perspectiva poética.


WhenContemporary
WhyO poema parece explorar a temática da morte e do processo biológico que ocorre após a morte, utilizando uma linguagem científica para descrever a degradação celular e a perda de vida.
FormFree verse

Themes & More

DeathBiochemistryLossTransformation
Metaphor: The poem uses scientific terms metaphorically to describe the process of dying.Imagery: Vivid descriptions of cellular processes and bodily changes create a strong visual impact.Personification: Cellular components are given human-like qualities, such as 'regozijam' and 'vacilar'.Contrast: The poem contrasts life and death, warmth and cold, presence and absence.
Bioquímica de uma perda by Unknown poet — Poem, Translation & Meaning