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Bioquímica de uma perdaBioquimica de uma perda
Bioquímica de uma perda
O último potencial Já desprovido de ação Percorre uma membrana Fadada a implosão Já não há mais ATP Só lhe resta contração
Inundada pelo cálcio As proteases regozijam E as hidrolases hidrolisam Os precursores de uma vida Já no fundo do abismo
As bombas que já falham Eu as vejo vacilar A chama já não arde Eu sinto o frio em seu lugar
O pulso Que outrora tão presente Agora já faz falta Nessa acidez pungente
Os sistemas tamponantes Já não tamponam nada O dióxido acumula Enquanto a vida se apaga
Tudo se enrijece A miosina ainda contrai Até que nem mais ela Permanece Se desfaz
O corpo finalmente Parece que descansou Um dia bronzeado Hoje é só livor O músculo relaxa A tensão se esvai E no final de tudo Você não existe mais.
Só eu.
Bioquímica de uma perda
O último impulso Sem mais ação Passa por uma camada Destinada a implodir Não há mais energia Só resta contrair
Cheia de cálcio As enzimas se alegram E as enzimas quebram Os iniciadores da vida Já no fundo do vazio
As bombas que falham Eu as vejo hesitar A chama não queima mais Sinto o frio em seu lugar
O pulso Que antes era constante Agora faz falta Nesta acidez forte
Os sistemas de equilíbrio Não equilibram mais O gás se acumula Enquanto a vida se apaga
Tudo endurece A proteína ainda contrai Até que nem ela Permanece Se desfaz
O corpo finalmente Parece descansar Um dia bronzeado Hoje é só palidez O músculo relaxa A tensão desaparece E no final de tudo Você não existe mais.
Só eu.